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Vale a pena para quem, trabalhar sob pressão? PDF Imprimir E-mail

Por Luciana Bernardes*

As organizações estão cada vez mais preocupadas com as constantes mudanças relacionadas à gestão empresarial e à inovação tecnológica. Para se manterem competitivas, as empresas exigem dos funcionários a capacidade para operar as novas tecnologias e trabalhar sob pressão. Buscam por profissionais que atendam suas necessidades de gerar resultados em curtíssimo prazo e que se enquadrem ao ritmo acelerado do dia a dia.

Torna-se cada vez mais comum o colaborador não ter hora para entrar, nem hora para sair da empresa. Os profissionais acabam aceitando certas exigências na esperança de ganhar uma promoção e ocupar cargos mais elevados. O que se percebe é que os esforços para ser multifuncional e acompanhar as exigências das empresas não são recompensados. Muitos funcionários acabam insatisfeitos, tendo um esgotamento mental com a demanda de atividades e se afastando por causa do estresse.

Esta Era Tecnológica que estamos vivendo, nos força a estar em constante aprendizado, em busca de um aperfeiçoamento profissional que não tem fim. A vida moderna nos dá a sensação de que estamos sempre correndo contra o tempo, querendo fazer mais coisas, ter mais, produzir mais, ser mais valorizado, mais reconhecido e, consequentemente, ter mais poder, mais status. Com isso, temos menos tempo para passar com a família, fazemos menos amigos, falamos menos com nossos colegas de trabalho e, por incrível que pareça, nesta Era Tecnológica, cuidamos cada vez menos da máquina mais importante da nossa vida, o nosso corpo.

Quantas vezes deixamos nossas consultas médicas de lado, porque "não temos tempo"? Empurramos a manutenção da "máquina-corpo" para as férias; e, quando chegam as férias, não queremos perder tempo com manutenção, porque precisamos aproveitar o tempo que temos para viajar, desopilar, esquecer da pressão do trabalho... Aproveitar para desopilar? Para esquecer a pressão do trabalho? Mas o ambiente profissional não deveria ser saudável, prazeroso, harmonioso?

Se os recursos mais importantes de uma empresa são os funcionários, as organizações deveriam se preocupar mais em oferecer um ambiente profissional prazeroso do que em trabalhar sob pressão. Visto que, trabalhar sob pressão, gera fatores negativos para a saúde mental; além das pessoas terem que pular etapas, pois precisam tomar decisões o mais rápido possível, estimula a ansiedade, o cansaço, o mau humor, o estresse e a depressão. Com certeza, esses fatores não vão influenciar positivamente no desempenho profissional, pelo contrário, o resultado disso é o aumento de pessoas doentes, que se afastam do trabalho e o consequente incremento das despesas com funcionários, pois, além da empresa ter que continuar pagando o plano de saúde para quem está afastado, precisa arcar com os custos do funcionário substituto.

É importante que fique claro, que a intenção desta reflexão é de instigar as empresas a reverem seus conceitos quanto às suas exigências e avaliar se trabalhar sob pressão é tão vantajoso quanto oferecer um ambiente de trabalho voltado para o bem-estar. Não se pode generalizar, pois muitas empresas possuem uma gestão mais humanizada, que entende que as pessoas são merecedoras de respeito e dignidade. Assim como, também é importante que as pessoas revejam os seus valores e encontrem uma maneira mais leve de levar a vida, procurando fazer aquilo que gosta. Muitos profissionais, que estão tentando encontrar um equilíbrio entre o bem-estar e a sobrecarga profissional, optam por uma remuneração mais baixa em empresas que valorizam a qualidade de vida dos colaboradores.

No livro "Como a Starbucks salvou a minha vida", um executivo de uma grande empresa, aprendeu novos valores e, valores básicos, quando foi trabalhar na Cafeteria Starbucks. O Google, empresa considerada, em 2010, o melhor lugar para se trabalhar no Brasil, adotou uma cultura diferente com relação à liderança de seus funcionários, de forma que todos se sintam bem no ambiente de trabalho. Claro que a gestão de Recursos Humanos deve estar de acordo com o perfil de cada empresa, mas vale lembrar que enxergar as pessoas e não só os resultados pode ser um diferencial para as organizações.

Não adianta as organizações desejarem profissionais exemplares, inteligentes, tomadores de decisões, mentes brilhantes, e se esquecerem de oferecer o mínimo para que estas mentes permaneçam brilhantes. A "máquina-corpo" é sensível, frágil e carente de atenção e cuidados. Independente da hierarquia, as pessoas precisam se sentir bem para ter bom humor, necessitam de liberdade para se expressar, precisam ser ouvidas, carecem de respeito, de ambiente saudável. Afinal, a empresa se torna a família de muitas pessoas e, no ambiente familiar, todos esperam ser bem acolhidos.

 

*Luciana Bernardes
Estudante do Curso de Administração de Empresas, possui formação acadêmica em Secretariado Executivo, Pós-Graduação em Gestão Empresarial. Atua como Secretária Executiva na PUCRS.Natural de Porto Alegre/RS.


Fonte: www.rh.com.br