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A utopia da liderança compartilhada PDF Imprimir E-mail

Por Roberto Recinella

A obtenção do sucesso depende do uso inteligente dos talentos, boa formação profissional, esforço individual, dedicação e foco em resultados , enfim todas as características que um Líder deve fomentar , mas infelizmente a verdadeira liderança é uma exceção , o que temos na realidade no nosso dia a dia são muitos chefes , e estes somente ajudam a acelerar conflitos.

As empresas buscam “talentos” que sejam inovadores , pro ativos , resilientes , assertivos , auto motivados , cooperativos , dinâmicos , eficientes , empreendedores , flexíveis , leais , organizados , perseverantes , responsáveis , sinceros, tolerantes , versáteis e etcs…. Além de termos um pouco de dificuldade em encontrar seres humanos assim , quando os encontramos criamos um problema , pois geramos um desconforto na empresa já que este irá questionar valores e crenças e seu superior na maioria das vezes não está preparado para enfrentar tais argumentos e o conflito se instala.

 

Atualmente o maior problema nas empresas está relacionado à gestão de pessoas . Segundo o INSEAD (European Institute of Business Administration), instituto suíço especializado na formação de executivos, publicou recente pesquisa que demonstra como a questão cultural influencia a forma como as pessoas lidam com o conflito. Entre 2002 e 2004, o pesquisador André Laurent entrevistou cerca de 2500 executivos na Europa e nos Estados Unidos, concluindo que apenas 6% destes profissionais americanos consideram o conflito como um problema a ser resolvido.

Ou seja, há uma certa homogeneização no comportamento dentro das empresas americanas. Na Suécia, o percentual cai para 4%, mas aumenta para 13% no Reino Unido e 16% na Alemanha.

Curiosamente no Brasil, esse quadro é absolutamente diferente.

Segundo a Fundação Dom Cabral, instituição brasileira que atua em consultoria empresarial de alto nível, o índice de preocupação dos executivos com o conflito no ambiente de trabalho chega a 50%, o que parece demonstrar que nossa cultura empresarial “privilegia” as situações conflitantes no dia-a-dia das relações profissionais. Isto ocorre devido á um enraizado sistema de motivação pelo medo que ainda impera nas empresas latinas em geral , devido á um uso errático das teorias de Burrhus Frederic Skinner.

Skinner foi um eminente psicólogo contemporâneo que lecionou nas Universidades de Harvard, Indiana e Minnesota , que em 1932 inventou a Caixa de Skinner , um aparelho que depois de passar por modificações é hoje muito conhecido e utilizado nos laboratórios de psicologia , influenciado pelos trabalhos de Pavlov e Watson, Skinner passou a estudar o comportamento operante que se baseia no ensino ou comando por recompensas e punições.

Isso rapidamente migrou para as empresas e algumas delas ainda são influenciadas inconscientemente por essas teorias.

Observe as regras dos seus prêmios de superação , se não são sustentados por recompensas e punições , como na Caixa de Skinner se o camundongo errar a alavanca alem de não receber nenhum alimento ainda toma um choque elétrico , igual a você no final do ano , alem de não receber o “bônus” ainda é repreendido pelo seu superior.

Segundo Wagner Dias, consultor especialista em inteligência emocional, aprendizagem acelerada e relacionamento interpessoal muitos líderes, gerentes e diretores ainda o medo como fator de motivação , ameaçam seus colaboradores dizendo que caso não façam o que deve ser feito, possivelmente não terão o emprego garantido e, com isso, os colaboradores acabam fazendo apenas e estritamente o que lhes foi mandado, sem questionar e muito menos inovar.

Um dos seus maiores clientes adota a seguinte política: se o gerente não cumprir a meta estabelecida por três meses consecutivos ele é demitido.

Imagine, então, como é o clima dentro dessa empresa. Quem perde com isso são as próprias empresas , que ainda engatinham na área de gestão de pessoas e acreditam que bastam recrutarem talentos no mercado para obterem sucesso , sem repensarem sua filosofia de desenvolvimento sustentável de talentos , estas estarão apenas “deixando de ganhar” e com isso diminuindo o seu faturamento , por conseguinte sua rentabilidade.

Temos que nos lembrar que uma empresa é formada por pessoas e se estas não evoluírem a empresa também não irá evoluir , precisamos proporcionar o desenvolvimento do individuo , do ser humano ,para isso necessitamos conhece-los , temos que praticar a sabedoria , essa sim uma característica fundamental no Líder do Séc XXI.

 ”Ser líder é como ser uma dama: se você precisa provar que é, então você não é.” Margareth Thatcher

O texto de Lao Tsu – Tao Te King escrito há milhares de anos atrás nos ensina o caminho da liderança compartilhada

Aquele que conhece os outros é sábio.
Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.
Aquele que vence os outros é forte.
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.
Aquele que conhece a alegria é rico.
 Aquele que conserva o seu caminho tem vontade.
Seja humilde, e permanecerás íntegro.
Curva-te, e permanecerás ereto.
Esvazia-te, e permanecerás repleto.
Gasta-te, e permanecerás novo.
O sábio não se exibe, e por isso brilha.
Ele não se faz notar, e por isso é notado.
Ele não se elogia, e por isso tem mérito.
E, porque não está competindo … … ninguém no mundo pode competir com ele.

Você não tem que ser melhor que ninguem a não ser você mesmo.

 

Fonte: www.cnj.jus.br