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Transparência nunca é demais PDF Imprimir E-mail

Por Luiz Vicente Rizzo*

É inegável que uma boa gestão de projetos aplicada na administração pública garante o melhor uso do dinheiro do cidadão. E transparência nunca é demais. Historicamente, o Brasil se destaca negativamente com a sua malha burocrática e falta de acesso ao andamento das atividades governamentais, que se limitava a comunicar à população apenas os resultados, quando de fato aconteciam.

Sempre foi bastante comum nos depararmos com obras paradas e o enorme desperdício de recursos do erário nacional, por conta da falta crônica de um gerenciamento minimamente confiável.

Nos últimos anos, isso vem mudando. Toda a experiência do setor privado e a consequente qualificação de gestores atuantes em projetos públicos ganha cada vez mais corpo no governo.

 

Mas vale dizer que o que hoje chamamos de inovação na área pública não representa necessariamente uma implantação de procedimentos inéditos: basta olharmos para algumas grandes empresas e para a academia e vamos encontrar inúmeras referências prontas para uso.

Para citar um exemplo: toda a área científica e de educação em saúde do Hospital Israelita Albert Einstein foi organizada em um sistema que passou a lidar com os cerca de 300 projetos de pesquisa como se fossem empresariais - dadas, claro, as diferenças entre o universo da ciência e do mundo corporativo. Os grupos de pesquisa passaram a controlar melhor seus gastos e associar de forma mais precisa indicadores de evolução.

Se, por um lado, sistemas de gerenciamento de projetos encontraram resistência do governo ao longo de décadas, do outro, na área de pesquisa, a aversão se dava por uma suposta interferência na liberdade acadêmica dos pesquisadores.

Comprovamos que gestão só ajuda. Opiniões à parte, podemos dizer que as duas áreas hoje estão em plena transformação, com resultados imediatos: otimização financeira, objetividade de ações e agilidade.

Essa nova realidade causou um choque generalizado quando encontrou amadorismos e, muitas vezes, cenários de corrupção. E está aí um ponto para refletirmos; além de resultados práticos em qualquer atividade: gestão é uma ótima ferramenta para contribuir com a ética.

Diante disso tudo, não podemos esquecer o essencial. Um projeto começa pela ideia, passa principalmente pelo planejamento estratégico e sua execução. Permeando estas fases, o monitoramento é fundamental para o sucesso da empreitada.

Em síntese, é preciso revisitar o planejamento, estabelecendo pontos de controle, que medem o andamento do trabalho frente ao cronograma estabelecido e, de acordo com o progresso das atividades, é possível detectar pontos críticos e antecipar futuros problemas.

Ao comparar o previsto com o que está sendo realizado é possível analisar o andamento do projeto e tomar decisões a respeito dos rumos de sua execução.

Essa metodologia facilita também a produção de relatórios para quem financia os projetos e, além dos resultados, precisa saber de seus andamentos.

No caso da área pública, isso faz com que a prestação de contas funcione efetivamente, garantindo desenvolvimento, eficiência e algo que, repito, nunca é demais: transparência.

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* Luiz Vicente Rizzo é diretor-superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein

 

Fonte: www.brasileconomico.com.br