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Aplicação da Gestão por Competências em órgãos públicos PDF Imprimir E-mail

Por Patrícia Bispo* para o RH.com.br

Um livro que traz à tona a teoria e a prática da aplicação da Gestão por Competências em órgãos públicos e com base nas experiências adquiridas por profissionais que participaram da implantação desses processos. Essa rica coletânea de conhecimentos encontra-se no título "Gestão por Competências no Setor Público", Qualitymark Editora, organizado por Rogerio Leme, MBA em Gestão de Pessoas pela FGV, Tecnólogo Digital, diretor executivo da Leme Consultoria, especialista e autor de vários livros sobre Gestão por Competências.
O título será lançado durante a realização do 2º Seminário Nacional Gestão por Competências, Avaliação e Desempenho no Setor Público, que ocorre no período de 07 a 08 de abril próximo, no Othon Palace Hotel, em Salvador/BA. Segundo Rogerio Leme, os profissionais públicos buscam por capacitações, informações, experiências, enfim, tudo que possa ajudá-los. "Todas as etapas do processo de implantação da Gestão por Competências no setor público são importante e têm características especiais, relevantes para o êxito da Gestão por Competências", afirma ao acrescentar que se etapas forem menosprezadas, podem levar ao fracasso o projeto por melhor que seja a metodologia utilizada.
Em entrevista concedia ao RH.com.br, Leme detalha características do livro "Gestão por Competências no Setor Público" e das necessidades específicas das empresas públicas, bem como os benefícios que essa metodologia gera aos órgão que a adotam. Rogerio Leme participará do 5º ConviRH (Congresso Virtual de Recursos Humanos), com a palestra "Como estruturar um sistema de Carreira com Foco em Competência". Confira a entrevista na íntegra e boa leitura!

 

 

 

 




RH.com.br - Recentemente o senhor tomou a iniciativa de organizar em um livro as experiências de consultores junto a órgãos públicos que instituíram a gestão por competências. Qual a proposta desse trabalho?

Rogerio Leme - Ao convidar um dos autores para fazer este livro, o Paulo Ricardo Godoy dos Santos, me questionou sobre porque eu gostaria de escrever sobre Gestão por Competências para o Setor Público considerando que os princípios de Gestão de Pessoas e da motivação humana são os mesmos, independentemente de ser uma empresa pública ou privada. Não tenha dúvida desta isonomia, porém, embora tecnicamente o processo de implantação de Gestão por Competências tenha que passar pelas mesmas etapas de implantação seja para uma empresa pública ou não, a maneira de abordar, sensibilizar de apresentar os objetivos são muito diferentes em função da cultura que envolve o serviço público. A cultura é muito diferente. Alguns exemplos extremamente simples são o fato de no setor público não haver concorrência e que os servidores possuem um processo de contratação via concurso público e de possuírem estabilidade. Assim, os profissionais reunidos para assinar este livro possuem experiência e muita vivência nestas questões, podendo compartilhar os erros e acertos que já passaram para que outras empresas públicas sintam-se incentivadas para iniciar a implantação de um importante projeto como este, objetivando colher os bons frutos que ele irá gerar.

RH - Esse título serve apenas de base para órgãos públicos ou também pode ser considerado um estímulo para empresas privadas que pensam em implantar a Gestão por Competências?
Rogerio Leme - O foco do livro é o setor público. Claro que os princípios da Gestão por Competências podem sem levados às empresas públicas e privadas. Porém, a linguagem, os exemplos e os cases do livro, foram elaborados especialmente para o setor público.

RH - O número de empresas públicas que adotam a Gestão por Competências cresceu significativamente nos últimos anos?
Rogerio Leme - Vem crescendo sim, mas há muito por fazer. A Gestão por Competências é um clamor da própria instituição ou, normalmente, uma diretriz de uma instância superior. Assim, elas estão em busca de soluções que atendam suas necessidades de sistematizar os processos de gestão e avaliação dos servidores não apenas para atender demandas alheias, mas para promover o desenvolvimento dos seus servidores e proporcionar serviços de melhor qualidade aos cidadãos, aos Estados e aos municípios.

RH - No Brasil, o funcionário público está preparado para aceitar a Gestão por Competências como um processo de mudanças benéfico?
Rogerio Leme - Não vejo que o servidor público não queira ou não esteja preparado para aceitar a Gestão por Competências em si. Na realidade, ele quer instrumentos que contribuam. Agora, acredito que temos que iniciar por implantações estruturadas estrategicamente, para que possamos trazer o servidor para as políticas de Recursos Humanos que pautam as ações de Gestão por Competências no setor público. O desafio do aceitar está nesta questão.


RH - E em relação aos profissionais de RH que atuam no setor público, como eles têm se posicionado diante da adoção da Gestão por Competências?
Rogerio Leme - Sinto que eles têm sede por querer realizar e uma ansiedade enorme que junta com a angústia das limitações que a área pública passa. Afinal, diferentemente de uma empresa privada que pode fazer tudo que não seja contra a lei, um setor público pode fazer somente aquilo que está estabelecido em lei. Assim, estes profissionais buscam por capacitações, informações, experiências, enfim, tudo que possa ajudá-los. Isso também nos motivou, a mim e demais autores do livro, a realizar esta obra.


RH - Quais os desafios mais significativos que o setor público enfrenta diante da Gestão por Competências?
Rogerio Leme - Quebrar paradigmas dos atuais modelos de avaliação de pessoas e a construção de um instrumento com credibilidade, levando a clareza das diretrizes que a proposta de gestão oferece. Não que isso prejudicará ou beneficiará o servidor, mas proporcionará o seu desenvolvimento para assim gerar resultados efetivos à sociedade.


RH - Esses desafios tendem a perder "força" em médio prazo?
Rogerio Leme - Se não estiverem bem consolidados em uma sólida proposta metodológica e que esta seja aderente à realidade da empresa pública, além do apoio e do interesse da alta gestão em querer realizar este projeto para deixar um legado e uma nova forma de Gestão de Pessoas, sem dúvida alguma o projeto como um todo pode morrer. É aí onde está o grande desafio do profissional de Recursos Humanos.


RH - A implantação da Gestão por Competências ocorre de forma similar ao que é evidenciado no setor privado ou há peculiaridades expressivas?
Rogerio Leme - Tecnicamente sim. Porém, o processo de construção é mais lento que em uma empresa privada e a massificação do debate e de envolvimento dos servidores e de formas de abordagem em função da cultura do setor público são muito mais amplos do que ocorre na iniciativa privada.


RH - Existem requisitos para que uma empresa pública implante a Gestão por Competências?
Rogerio Leme - Sim. Dentre esses, destacaria: contar com o apoio da alta gestão e ter espírito aberto para debate. Sem um forte e amplo apoio da alta administração dificilmente o projeto consegue ser implantado e sem o envolvimento dos servidores por meio de debates e de forte comunicação, dificilmente o projeto consegue ser sustentado.


RH - Quando um órgão público decide implantar a Gestão por Competências, qual a etapa inicial a ser adotada e a que pode ser considerada a mais "delicada?
Rogerio Leme - Todo o processo de implantação é importante e têm características especiais, relevantes e que, se menosprezadas podem levar ao fracasso o projeto por melhor que seja a metodologia utilizada. Entretanto, sem sombra de dúvidas, as chamadas "políticas de consequências", ou seja, as políticas de Gestão de Pessoas que determinam o impacto e os subsistemas de Recursos Humanos - que serão afetados com o resultado da avaliação - são os mais delicados por envolver a cultura e os ranços do setor público, por abranger questões de interesse político, do servidor e principalmente de experiências frustradas de avaliações realizadas no passado.


RH - Que mudanças ocorrem nas organizações públicas que implantam a Gestão por Competências?
Rogerio Leme - Uma área de Recursos Humanos estruturada, voltada para questões objetivas e assertivas quanto ao desenvolvimento das competências de seus servidores e a instauração do sentimento de transparência, justiça e meritocracia que se materializa com as ações complementares dos Recursos Humanos. É uma fase nova na Gestão de Pessoas.

 

 

*Patrícia Bispo
Formada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo, pela Universidade Católica de Pernambuco/Unicap. Atuou durante dez anos em Assessoria Política, especificamente na Câmara Municipal do Recife e na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. Atualmente, trabalha na Atodigital.com, sendo jornalista responsável pelos sites: www.rh.com.br, www.portodegalinhas.com.br e www.guiatamandare.com.br.

 

 

Fonte: www.rh.com.br