Menu Principal


Como criar um ambiente propício ao espírito de equipe? PDF Imprimir E-mail

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br*

As competências comportamentais asseguraram espaço no mercado que, cada vez mais, exige retornos rápidos e eficazes para o negócio. Isso, no entanto, só é possível se a empresa contar não apenas com profissionais qualificados, mas que saibam trabalhar em equipe, disseminar o conhecimento e reconhecer que é sempre é possível aprender algo com o colega que está ao seu lado, no dia a dia corporativo.
Mas se o espírito de equipe é tão valioso, por que as organizações ainda sentem dificuldade de manter a sincronia e a assertividade entre suas equipes? Porque nem sempre são realizadas atividades que conscientizem os funcionários a compreenderem o retorno e os benefícios que o espírito de cooperação gera tanto à empresa quanto às pessoas que nela atuam. Segundo Maria Bernadete Pupo, consultora independente e docente universitária de disciplinas de recursos Humanos do Unifieo, um ambiente corporativo que investe em atividades para incentivar o trabalho em equipe, na sua capacitação técnica e no desenvolvimento do seu lado emocional, tornará as pessoas mais felizes, eficazes, flexíveis, responsáveis e com elevada autoestima. "Isso facilita muito a implementação de mudanças e a obtenção de resultados", complementa a consultora. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Maria Bernadete Pupo aponta os fatores que auxiliam e os que prejudicam o trabalho em equipe. Outros pontos são abordados na entrevista, principalmente aqueles que envolvem a atuação dos gestores para que os membros das equipes façam com que suas ações sejam convergentes à obtenção de resultados. Boa leitura e até a próxima!


RH.com.br - Uma empresa competitiva exige a presença de profissionais com competências comportamentais com, por exemplo, saber lidar com os colegas de trabalho, respeitando-se a diversidade. Quais as características de um ambiente propício ao espírito de equipe?
Maria Bernadete Pupo - Um ambiente propício ao trabalho em equipe, geralmente está ligado à visão do gestor. Essa visão é demonstrada através das ações e das práticas, as quais favorecem a construção de um ambiente democrático de trabalho propício à participação da equipe através do estabelecimento de metas e da própria manutenção continuada de atitudes e comportamentos de mútuo respeito entre as partes.

RH - Você mencionou a visão do gestor como sendo um fator que influencia o estímulo ao espírito de equipe. Como um líder deve atuar para contar com uma equipe e não apenas com um grupo de profissionais?
Maria Bernadete Pupo - Não basta que o gestor tenha somente a visão de equipe. É necessário que as pessoas trabalhem com a visão compartilhada de construção de ideias e de conquistas. Muitas vezes, percebemos a distância entre a expectativa do profissional com o interesse do empregador. Isso, geralmente, ocorre pelo fato do profissional não alinhar ou não descobrir o que realmente a empresa espera dele. Esse descompasso acaba por transformar o dia a dia do profissional, fazendo com que ele não se envolva com a estratégia e simplesmente cumpra aquilo que lhe foi pedido - nada mais - favorecendo assim a descontinuidade do trabalho em equipe. Nesse caso, cabe ao gestor conversar com o profissional individualmente, deixando claro o que a empresa espera dele, qual será a sua contribuição e em contrapartida o seu diferencial pela busca dos resultados.

RH - Em sua opinião quais os fatores contribuem para existência do espírito de equipe no ambiente corporativo?
Maria Bernadete Pupo - A potencialização do trabalho em equipe passa por algumas etapas como, por exemplo: permitir que cada um dos envolvidos estabeleça seu autoconceito, conseguindo apoio para a consecução dos seus objetivos e através de avaliações constantes, reconheça a capacidade de aprimorar e modificar comportamentos; fazer com que as pessoas tenham a visão e a necessidade da interdependência na execução das atividades, unindo-as, estando elas fisicamente próximas ou não, configurando assim o trabalho em equipe. Temos ainda que destacar outras etapas: definir objetivos e metas específicas; deixar claro a divisão de papeis e não de objetivos comuns; estimular no indivíduo a existência do sentimento de pertencer à equipe; praticar o compartilhamento de regras e normas comuns.

RH - E quais os fatores que mais atrapalham a existência do espírito de equipe no ambiente corporativo?
Maria Bernadete Pupo - Destacaria os seguintes: liderança despreparada ou sem perfil para a tarefa; não deixar claro para o profissional qual é o papel que ele desempenhará, qual é a sua missão e os objetivos que deverá alcançar; selecionar profissionais sem a preocupação com o perfil, com a tarefa e com a disponibilidade de tempo; cobrar sem apoiar e sem oferecer condições para executar as suas tarefas; criar ambiente hostil de competição; quando o poder e o ego se sobrepõem ao resultado; praticar o pensamento individualista.

RH - Existe uma metodologia para estimular o trabalho em equipe que possa ser aplicada para qualquer tipo de empresa ou isso dependerá da realidade de cada organização?
Maria Bernadete Pupo - Prefiro acreditar que sempre é tempo de mudanças. Implementar um programa de desenvolvimento de equipes é uma das ações. Um programa que tenha como pilar a Gestão do Conhecimento, que privilegie a aprendizagem e a interação de seus participantes num processo contínuo de experimentação e troca, é uma das alternativas interessantes. Para o sucesso do programa alguns aspectos devem ser considerados como: o papel da liderança no processo de desenvolvimento de competências; incentivar o aprendizado - treinamentos técnicos e comportamentais -, visando à melhoria do processo produtivo e a humanização no trabalho; sistematizar e divulgar processos operacionais a fim de unificar o linguajar e diminuir o nível de estresse entre as equipes; implementar processo de comunicação com a equipe e para a equipe; potencializar as forças e as fragilidades individuais, através de processo contínuo de avaliação por resultados. Outros aspectos também contribuem para o êxito do programa que não podemos deixar de mencionar: aprimorar o processo de recrutamento e seleção no sentido buscar o profissional com o perfil técnico e comportamental requerido pela organização; alinhar o perfil dos profissionais à visão, à missão e os objetivos institucionais; passar com clareza ao profissional o resultado esperado com o seu trabalho; promover programas de integração entre as equipes; o gestor deve buscar apoio e parceria do setor de Recursos Humanos, uma vez que o trabalho é interdisciplinar e envolve a empresa como um todo. Vale lembrar que um ambiente corporativo que investe em ações para incentivar o trabalho em equipe, na sua capacitação técnica e no desenvolvimento do seu lado emocional dos profissionais, tornará as pessoas mais felizes, eficazes, flexíveis, responsáveis e com elevada autoestima, o que facilita em muito a implementação de mudanças e a obtenção de resultados.

RH - A realidade mostra que os investimentos em ações focadas para o desenvolvimento do espírito de equipe nas empresas acompanham as necessidades do mercado globalizado ou isso ainda está longe de ser uma realidade?
Maria Bernadete Pupo - A gestão de Recursos Humanos vem modificando-se para atender às necessidades das organizações, uma vez que a competitividade e a globalização da economia incorporaram à prática organizacional o conceito de competência, como suporte do modelo de Gestão de Pessoas - isso já se tornou realidade. Mudança é a palavra de ordem. E é nesse novo contexto que a Gestão de Pessoas ganha importância estratégica e o desenvolvimento de equipe torna-se determinante para o aprimoramento dos modelos de negócios e para o alcance mais efetivo dos resultados.

RH - Quais os equívocos mais comuns e que são observados, quando as empresas instituem ações para estimular o espírito de equipe?
Maria Bernadete Pupo - Todo programa, ao ser implantado, geralmente precede de diagnóstico, planejamento, execução e acompanhamento. Quando há alguma fragilidade em qualquer dessas etapas, corre-se o risco do programa cair no descrédito. Dessa forma, os erros mais comuns estão ligados à: falta de envolvimento dos dirigentes da empresa com o programa ou projeto; ao desalinhamento entre a retórica e a ação; à falta de métrica que possibilite a identificação dos gaps entre o esperado e o resultado obtido; à ausência de envolvimento e cooperação de todos os seus integrantes, sendo que o maior desafio está em fazer com que pessoas diferentes, com funções diversas e formações específicas ajam com objetivos comuns.

RH - O que fazer para que esses erros não venham à tona?
Maria Bernadete Pupo - O primeiro passo é fazer com que a direção da organização seja o "padrinho" ou o "precursor" do programa, lembrando que o seu envolvimento e o seu interesse devem ficar muito claros para as pessoas, através de metas, prazos e acompanhamento do desenvolvimento do programa. Práticas como essas darão segurança e credibilidade às pessoas, aumentando a chance de sucesso.

RH - Que orientações a senhora pode deixar para um RH que tem planos de instituir ações para estimular o espírito de equipe, na empresa em que ele atua?
Maria Bernadete Pupo - O meu conselho é que antes de implementar qualquer programa ou ação, que este seja amplamente discutido, compartilhado e que só seja implementado após ampla discussão, aceitação e envolvimento dos diretores e gestores da organização. Eles é que serão os incentivadores e os multiplicadores do verdadeiro espírito de equipe.

 

*Patrícia Bispo
Formada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo, pela Universidade Católica de Pernambuco/Unicap. Atuou durante dez anos em Assessoria Política, especificamente na Câmara Municipal do Recife e na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. Atualmente, trabalha na Atodigital.com, sendo jornalista responsável pelos sites: www.rh.com.br, www.portodegalinhas.com.br e www.guiatamandare.com.br.

 

Fonte: www.rh.com.br