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Por Cristiane Dias

Há quem diga que trabalhar em casa é a melhor coisa do mundo. Acordar, ter tempo para conversar com a família e não precisar enfrentar a correria do trânsito a fim de chegar ao trabalho no horário. Esse sonho de muitos profissionais tem se mostrado cada vez mais uma tendência para o mercado.


Partindo do princípio de que o home office está se tornando algo comum para muitas empresas, temos uma questão importante para conversar com você: sua companhia libera ou liberaria os colaboradores para trabalharem em casa? Para algumas organizações, isso é um absurdo, já para outras, significa ganhos a mais. Aumento de produtividade, criatividade e comprometimento estão entre os principais benefícios apontados por líderes de equipes que trabalham em casa.

Perguntamos a Sulivan França, diretor da Sociedade Latino Americana de Coaching, se é bom para a empresa liberar seus funcionários para trabalharem em casa. Ele explica que essa mudança não deve ser radical, mas adotada de forma gradativa. “É importante fazer com que o trabalho seja desenvolvido uma parte na empresa e outra em casa, medindo e comparando os resultados até que atinjam números satisfatórios para que, então, seja possível liberar o trabalho 100% home office”, explica.

Já, para Daniela Zanuncini, psicóloga e diretora da Bem-Estar Desenvolvimento Humano, é necessário que a empresa analise o perfil do colaborador. Se estiver adequado, não há problemas em liberá-lo para trabalhar em casa. Agora, caso o profissional não consiga se organizar e precise da cobrança do líder constantemente, o melhor a fazer é deixá-lo na organização. “O funcionário tem de ser automotivado, administrar bem seu tempo, respeitar prazos e gerenciar sua produção a contento”, lembra.

O estudo Undress for success: the naked truth about working from home revelou que os norte-americanos poderiam economizar, mensalmente, mais de US$500 por funcionário com o home office. No Brasil, também existem companhias que conseguem diminuir custos e garantir a produtividade de seus colaboradores. É o caso da Ticket, empresa de benefícios que descobriu uma nova forma de lidar com o crescimento e desenvolvimento de seus profissionais por meio do home office.

Mudança – Antes de decidir adotar ou não esse sistema em sua companhia, é preciso analisar se líderes e equipes estão preparados para a mudança. “A organização tem de estar capacitada para administrar o processo e as pessoas que trabalham em casa é necessário ter prerrequisitos e procedimentos necessários para que isso aconteça, sistemas de avaliação, comunicação direta, supervisão e delegação. Delegar sem controle pode ser um risco”, alerta Daniela.

Caso sua empresa tenha tudo isso, prepare-se para os benefícios que o home office pode trazer, como: lucratividade, produtividade e comprometimento, até mesmo em tempos difíceis, em que a ordem é economizar. Esse sistema de trabalho pode ser a solução para muitas organizações. No entanto, Sulivan alerta para algo importante: “Deve-se tomar cuidado quanto ao risco de queda na produtividade, o que, em tempos de crise, é algo perigoso”.

Monitoramento – Para evitar que a produtividade caia, o líder precisa contribuir para o sucesso do home office. Se você quer liberar seus funcionários para trabalharem em casa, não deixe de acompanhar o desenvolvimento deles, tenha uma planilha de controle de atividades e dê feedbacks constantemente. Não se esqueça de que eles continuam sendo seus colaboradores e estão sob sua responsabilidade. De acordo com Daniela, as exigências devem ser iguais às dos profissionais que trabalham na empresa:

* Qualidade, prazo e meta.
* Planilha de controle das ações e prazos.
* Duração estipulada de cada atividade para remuneração por tempo trabalhado.
* Se preferir remunerar por metas cumpridas, deixe claros os requisitos e exija qualidade.
* Reuniões constantes.

Economia – Você pode até pensar: “Se a questão é fazer com que o colaborador se sinta bem e produza mais por estar em casa, posso mudar a ‘cara’ do ambiente de trabalho, tornando-o mais familiar, quase uma extensão da casa de cada um?”. Sim, você pode. A questão, no entanto, é outra: quanto tempo seu funcionário gasta para chegar até a empresa que poderia reverter em produtividade? “É preciso entender que, ao se deslocar para o trabalho, o profissional provavelmente passa uma boa parte de seu tempo no trânsito. Trabalhar em home office não é apenas estar em um lugar agradável, mas não ter de se locomover de casa ao trabalho e vice-versa, economizando assim tempo e recursos financeiros”, afirma Sulivan.

Essa economia talvez seja um dos principais pontos positivos do home office para muitas organizações. Afinal, se o colaborador gerenciar bem seu tempo, você ganha em produtividade e tem menores custos, o que interfere diretamente na lucratividade. Caso seu funcionário tenha esse perfil, então por que não permitir que ele trabalhe em casa?

Para ajudar você nessa decisão, listamos algumas vantagens que o home office pode trazer à sua empresa e equipe, como: flexibilidade de horário, aumento da concentração, autonomia, criatividade, qualidade de vida, liberdade e resultados. Sem falar no comprometimento gerado pelo fato de você proporcionar o benefício de trabalhar em casa – um sentimento de gratidão e confiança que se reflete em resultados.

Responsabilidade – É preciso deixar claro para seu funcionário que, embora esteja trabalhando em casa, ele deve realizar suas tarefas com a mesma ou até mais dedicação e comprometimento com que fazia na empresa. Mas não esqueça que a organização também tem responsabilidades nesse processo. Se o colaborador não tiver em casa a estrutura de trabalho necessária, a companhia pode oferecer tudo que ele precisa, se isso for de comum acordo entre ambas as partes. Afinal, se esse profissional vai trazer benefícios e lucros para a empresa, é preciso garantir todos os recursos necessários para isso acontecer. Além disso, o home office não pode interferir negativamente na relação e contato entre empresa e funcionário. É fundamental que o líder faça, por exemplo, reuniões, contato por chat, MSN, encontros pessoais, confraternizações e integração.

 

Case de sucesso – A Ticket é uma empresa multinacional que tem como foco o bem-estar do profissional, acreditando que seja uma das principais formas de melhorar a produtividade das organizações. Foi com esse pensamento que, em 2005, ela começou a implementar o sistema de home office. Eduardo Távora, superintendente nacional de vendas, lembra que antes os funcionários atendiam muito e vendiam pouco. O tempo se dividia 40% em atendimento por telefone, 30% em atendimento pessoal e apenas 30% em vendas. “Hoje, temos 5% de atendimento por telefone, 15% pessoal e 70% de vendas”, diz Távora, explicando que isso aconteceu depois da implementação do home office, com os profissionais sentindo-se mais livres e focados em uma determinada atividade.

Confiança, mais delegação e maior responsabilidade são três fatores apontados pelo superintendente que garantem a produtividade dos 115 colaboradores que trabalham em casa.

O setor de RH também trabalha com os líderes. Edna Bedani, gerente de desenvolvimento de recursos humanos, explica que, além de formar profissionais capacitados para trabalhar em casa, a família se envolve no processo de forma a não atrapalhar o trabalho desse funcionário. Muito pelo contrário, ajuda-o a cada vez mais melhorar seus resultados.

Mesmo trabalhando em casa, os colaboradores têm acesso a informações como folha de pagamento e planejamento – tudo através da internet, sem precisar sair de casa. Tanto o superintendente quanto a gerente de RH da Ticket garantem um acompanhamento a esses profissionais por meio de reuniões, telefonemas, e-mails, almoços e cafés. A preocupação da rede é grande com esses colaboradores, pois, entre as vantagens, destaca-se o balanço positivo da empresa, a redução de custos, a satisfação dos funcionários e o aumento de comprometimento.

 

Fonte: www.lideraonline.com.br