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Talentos: comprometimento tem idade? PDF Imprimir E-mail

Por Patrícia Bispo* 

Se antes o ambiente de trabalho era visto exclusivamente como um local onde as pessoas tinham que se comportar com total seriedade, para não comprometer a imagem profissional, hoje é possível constatar que uma empresa também pode apresentar ótimos resultados com profissionais que prezam por um clima mais light. Diga-se de passagem, que um ambiente informal onde é difícil identificar quem é líder ou liderado está bem longe de contar com funcionários sem comprometimento e com baixa performance.

 

É bom lembrar que muitos talentos optam por trabalhar em organizações menores, com remunerações inferiores, mas que abram espaço à criatividade e ao espírito de equipe. Na Agência Scama, por exemplo, uma empresa liderada por jovens pertencentes à geração Y, a maturidade se faz presente diante de um ambiente muito descontraído e a faixa etária ou sisudez não são sinônimos de competências.

Além dos instrumentos de trabalho, quem chega à empresa tem a chance de ser convidado para deixar o estresse de lado e jogar uma partida de games. Lá, as relações de trabalho fogem de algumas convenções e sempre se privilegia um ambiente saudável, aberto à diversão e ao relaxamento. De acordo com Gabriel França de Carvalho, diretor da companhia, a gestão da organização que ele fundou é baseada pela flexibilização de horários, utilizando-se um sistema de metas.

"A pressão do cotidiano já é grande demais e o clima interno tem que ser o mais leve possível para equilibrar isso. Para começar não temos rigidez de horário. As pessoas são cobradas por metas, por finalização de projetos, por sucesso nas iniciativas e não pelo horário que chegam e saem da empresa. O importante é que o trabalho esteja bem feito e no prazo acordado", sintetiza.

A descontração para que os funcionários se sintam bem onde trabalho e, consequentemente, tenham um melhor desempenho não fica restrita apenas às relações, mas também a algumas ações práticas. Dentre essas, o alívio do estresse é vencido pelo ambiente físico. Para isso, a empresa investiu em um mobiliário confortável como pufes, sofás-cama para que os funcionários possam tirar um cochilo e refazer as energias, redes em área arejadas, televisão, videogames e até cafezinho expresso liberado.

Quando questionado se todas essas mordomias não fazem com que as pessoas deem uma "escapadinha" das suas atividades, Gabriel Carvalho diz que cabe aos profissionais saberem usar os benefícios que a empresa oferece com responsabilidade. Por isso, adotou-se uma gestão por metas. "O que importa é realizar as tarefas da maneira correta e no prazo correto. O que o profissional vai fazer durante o processo, é problema dele", afirma. Por outro lado, ele se mostra bem realista e diz que esses benefícios podem interferir no senso de certos profissionais. E se isso ocorrer, eles não permanecem na sua equipe.

Por isso, quando se realiza uma seleção os dirigentes fazem questão de manter profissionais que sabem valorizar os benefícios e que se esforçam ao máximo para realizar grandes trabalhos e, ao mesmo tempo, continuar usufruindo dos pequenos confortos e do clima leve da agência. Gabriel é enfático ao citar que com o tempo, a empresa selecionou talentos incríveis, que trabalham porque gostam, são responsáveis e não precisam ser controlados por normas e regras.

Para garantir que o clima saudável e responsável seja permanente, um fato curioso ocorre na agência. Se alguém observa que o colega de trabalho ultrapassou os limites e comprometeu o andamento das atividades, os próprios companheiros alertam e cobram da pessoa que "pisou na bola". Caso isso não resolva a questão, o primeiro passo adotado pela empresa é convidar o colaborador para uma conversa reservada, explicando as razões dos benefícios e como eles devem maximizar o desempenho profissional e não atrapalhar. Se mesmo assim, o funcionário não mudar sua postura, ele é desligado da empresa. Mas isso raramente acontece e, geralmente, o papo resolve a questão.

Feedback sempre - Um fato relevante no modelo de gestão descontraído da Scama é a utilização constante do feedback. A vantagem da equipe estar sempre junta e em contato direto e com uma forte comunicação verbal, que acontece o tempo todo, facilita que todos saibam o que a empresa espera de cada um. "Conversamos sobre trabalho, comportamento, planos para o futuro, estratégia e tudo o mais que seja relevante para a formação da cultura organizacional, para mostrar o caminho a ser trilhado e para melhorar o desempenho. É fundamental ouvir e ser ouvido. A troca constante faz que a organização seja flexível e moderna", assegura Gabriel com animação.

Gestão de metas - Se por um lado a Scama oferece todo um ambiente propicio à descontração, por outro existe uma avaliação de desempenho. Só que essa também foge de muitas metodologias aplicadas no mercado. Mas isso não significa que o papel de cada não deixe de ser cumprido, pelo contrário. Na visão da companhia, profissionais responsáveis e competentes sabem que precisam cumprir suas metas.

Se a pessoa passa o dia na internet, jogando videogame ou vendo televisão, é problema dela. O importante é que o trabalho esteja muito bem feito e na data correta.
A cobrança é feita em cima dos resultados e não do método. Todos são adultos e conhecem suas responsabilidades. Isso é bom para os funcionários, que moldam o dia de acordo com as necessidades, mas também para os gestores que não têm que ficar se preocupando em serem babás de gente grande.

Mescla de gerações - Quem imagina que a Scama só abre espaço para profissionais da geração Y, engana-se. Inclusive, o diretor da empresa faz questão de mencionar que há espaço para profissionais de várias faixas etárias. O importante é que as pessoas se identifiquem com o modelo de trabalho da empresa e acreditem em suas propostas. "Os mais jovens sempre trazem uma visão mais fresca do mercado e do que está acontecendo de novo. Os profissionais com mais maduros agregam experiência e uma vivência que não tem preço. Saber fazer uma boa mistura de tudo isso é o que faz as empresas crescerem. Precisamos aprender com o que passou, mas também com o que está por vir. O negócio é aprender sempre", finaliza o diretor da agência.

 

*Patrícia Bispo
Formada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo, pela Universidade Católica de Pernambuco/Unicap. Atuou durante dez anos em Assessoria Política, especificamente na Câmara Municipal do Recife e na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. Atualmente, trabalha na Atodigital.com, sendo jornalista responsável pelos sites: www.rh.com.br, www.portodegalinhas.com.br e www.guiatamandare.com.br.

 

Fonte: www.rh.com.br