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Ronda do Amor PDF Imprimir E-mail

Por Marcelo Malizia Cabral*

Desde que regressei à minha casa, no último sábado, nove de julho, após encerrada a Ronda da Cidadania que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul promoveu no Município do Capão do Leão, fiquei com um sentimento de que se impõe o registro do que vi, ouvi e senti nessas breves linhas.


Pois mais de uma centena de pessoas saíram de suas casas naquela manhã fria, deixando de lado seus lazeres, suas famílias, seu descanso, para entregar seu conhecimento, sua experiência e seu trabalho a outras cerca de três mil pessoas que passaram pela Escola Elberto Madruga naquele dia.
Ali estavam cabeleireiros, servidores públicos, professores, enfermeiros, estudantes, assistentes sociais, defensores públicos, advogados, juízes, militares, escoteiros, maquiadores, técnicos agrícolas, todos felizes e movidos pelo extraordinário prazer de servir ao próximo.
De outro lado, famílias inteiras chegavam ao local. Mães, pais, avós, filhos pelas mãos e nos carrinhos de bebê formavam longa fila desde a madrugada em busca dos serviços essenciais que seriam oferecidos de forma gratuita naquele dia.
Angustiados e afoitos, disputavam cada espaço dos corredores da Escola, em busca de certidões de nascimento, carteiras de identidade, orientações de saúde, cadastramento em programas sociais, atendimentos jurídicos, entre outros tantos serviços.
Alguns dos que trabalhavam e daqueles que lutavam pela obtenção dos serviços ainda arranjaram tempo e disposição para destacar um tempo do dia a cadastrarem-se à condição de doadores de medula óssea e deixaram alguns mililitros de seu sangue na unidade móvel do Hemocentro de Pelotas, parceiro do projeto, que ali se encontrava.
Em uma pequena cerimônia de abertura dos trabalhos, na condição de coordenador da Ronda da Cidadania na Comarca de Pelotas, eu falava dos números do projeto nesses dez anos de atividade, 47,8 mil atendimentos, 576 casamentos, da responsabilidade social das instituições parceiras do projeto e ao fim homenageamos a magistrada que coordenou os trabalhos em todo esse tempo, até sua aposentadoria.
Após receber a placa que a congratulava, Suzana Viegas Neves da Silva, ao fim de sua fala, resumiu tudo o que eu ainda não percebera em uma feliz e inesquecível expressão: “Essa Ronda da Cidadania é muito mais do que isso. É a Ronda do Amor.”

*Marcelo Malizia Cabral, juiz de direito no RS e coordenador do Projeto Ronda da Cidadania na Comarca de Pelotas ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ).