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A desejada resiliência PDF Imprimir E-mail

Por Jorgi Matias Lima

Entenda o que é e como fazer para potencializar em si mesmo uma das

competências mais desejadas pelo mercado de trabalho

A resiliência é uma das características mais almejadas nos gestores e funcionários. Com origem no latim, resílio significa retornar a um estado anterior. Na engenharia e na física, ela é definida como a propriedade que alguns materiais apresentam de voltar ao normal depois de submetidos à máxima tensão. No mundo corporativo, sua principal função é fazer com que uma pessoa, mesmo num ambiente desfavorável, construa-se positivamente frente às adversidades. O tema é um dos mais abordados por Jorgi Matias Lima, palestrante e instrutora de cursos nas áreas de Gestão de Equipes, Liderança e Coaching. E é alvo de um workshop que realiza em empresas de todo o Brasil e, no RS, com a Universidade Feevale. Confira como potencializar essa competência em si mesmo para se tornar mais valorizado pelo mercado.

'Não podemos confundir resiliência com subordinação excessiva'<br /><b>Crédito: </b> arquivo pessoal / cp

'Não podemos confundir resiliência com subordinação excessiva' Crédito: arquivo pessoal / cp

CP - Como podemos definir a capacidade de resiliência?

Jorgi - Resiliência é o termo que descreve as forças psicológicas e biológicas que nos permitem superar com sucesso as mudanças ocorridas na vida e a nos sentir mais preparados para enfrentar desafios futuros. É o que nos ajuda a lidar melhor com situações estressantes, pois é preciso que os processos fisiológicos do corpo humano, ativados pelo stress, funcionem bem nas mais diversas situações. Afinal, a resistência às mudanças é um fenômeno universal. Agindo de forma resiliente, conseguimos fazer com que o stress seja uma força a nosso favor e não contra nós.

CP - É uma competência que pode ser desenvolvida?

Jorgi - Até o início da década de 1990, os estudiosos defendiam que essa capacidade era inata. Já no final dessa mesma década, ficou comprovado que todos nós nascemos com essa capacidade. Estudos mais recentes demonstram que a base dessa capacidade vem com o nosso DNA e corresponde a 10%. Ou seja, nascemos com essa base de 10%. O interessante é que podemos desenvolvê-la no nosso dia a dia desde a infância e a adolescência, onde devem ser plantadas as primeiras sementes da flexibilidade e determinação. É desde a infância que devemos iniciar o incentivo à independência para forjarmos um adulto capaz de ter liberdade de pensamento e ação.

CP - Em que momentos da vida ela é mais necessária?

Jorgi - A resiliência é necessária simplesmente porque nos fortalece e nos mostra que nada de grandioso ocorre de graça. É preciso pagar um preço para alcançarmos grandes metas e conquistarmos nossos sonhos. Essa capacidade é mais necessária principalmente para aquelas pessoas que têm grandes desafios na vida, como liderar pessoas, crescer profissionalmente, viver na coletividade, fortalecer a autoestima, compreender opostos, tratar objeções, trabalhar em ambientes desfavoráveis, desenvolver a criatividade, não se deixar abater pelos desafios, ampliar sua flexibilidade, dentre outros. Essa capacidade é fundamental quando aquilo que vivemos está refletindo um caos. E, em regra, todas as atividades laborais são permeadas de algum caos. Assim, precisamos estar saudáveis para compreender, aprender e fortalecer-nos com esse caos que só vai aumentar.

CP - O que a falta de resiliência pode gerar?

Jorgi - Ela pode fazer com que as pessoas não alcancem suas metas de vida pessoal e profissional simplesmente por não acreditarem que são capazes de chegar à sua realização. Nos deparamos com muitas pessoas do "quase": ela quase conseguiu a vaga de trabalho sonhada. Ele quase passou no concurso dos seus sonhos. Ele não teve coragem de aceitar o convite de transferir-se para outro estado e assumir o tão sonhado cargo de gestor. São muitas as pessoas que andam em círculos em sua vida, dão dois passos pra frente e três pra trás. Não reagem frente aos desafios do seu dia a dia.

CP - Como a pessoa pode identificar se tem ou não esta competência?

Jorgi - Todos nós somos pessoas dotadas dessa capacidade. O que é imperioso é sairmos da nossa zona de conforto e nos propormos a expandirmos o percentual da nossa resiliência, principalmente através de autoconhecimento e treinamentos. É um processo de melhoria pessoal contínua e serve para a nossa vida em geral. É possível expandirmos a nossa resiliência e só depende de nossa determinação. De modo geral, posso sugerir que as pessoas precisam se conhecer e ter objetivos claros, que vivam com a atenção concentrada, mantenham a saúde física e mental e pensem na coletividade.

CP - Como não confundir resiliência com subordinação?

Jorgi - Não podemos confundir resiliência com subordinação excessiva. São dois conceitos bem distintos, até porque a pessoa com um nível de resiliência desenvolvido tem liberdade de pensamento e ação expandida.

 

Fonte: Jornal Correio do Povo - Ano 116 Nº 318 - Porto Alegre, Domingo, 14 de Agosto de 2011 (www.correiodopovo.com.br, em 16/8/2011)