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Lidando com a ansiedade no trabalho PDF Imprimir E-mail

Por Simone Barbosa para o RH.com.br*


Nos dias atuais, a ansiedade faz parte do cotidiano de muitas pessoas. Nosso sistema econômico nos forja a um exigente cenário de competição, consumismo desenfreado, alta produtividade, perfeição, qualificação profissional, conhecimentos atualizados, acesso à tecnologia, criatividade, habilidades diferenciadas, aparência pessoal. Enfim, são muitos os atributos necessários para manter um profissional em destaque e ativo no mercado de trabalho. Se estes predicados apresentam-se como uma norma social, nada mais natural que o ser humano civilizado reaja esforçando-se para se adequar a estes padrões.

O fato da vida em sociedade ser essencial na história da evolução humana, qualquer sensação de exclusão ou rejeição, nos remete ao medo. Assim, o risco de não cumprir os papeis sociais no mundo corporativo é uma forma de exclusão e gera a desconfortável sensação de ansiedade. Não raro, passamos por pressões no trabalho, a exemplo de quando precisamos elaborar um denso relatório em um pequeno espaço de tempo ou mesmo numa reunião importante com os gestores e outros contextos afins. Em situações desta natureza, podemos observar reações físicas e emocionais como: dores de cabeça, descontrole do apetite, irritabilidade, sudorese, sensibilidade excessiva, emoções descontroladas, exacerbação do foco em problemas e não em soluções. Enfim, são diversas as possíveis manifestações de defesa frente a uma situação de "risco" iminente: e se meu chefe não aprovar? E se eu for demitido? E se prejudicar minha promoção? Tanta insegurança tende a gerar ainda mais insegurança e prejudicar a organização do processo no qual se está empenhado, além de comprometer a capacidade de decisão e de interpretação das situações postas.

Sem desconsiderar alguns níveis de ansiedade que se caracterizam como patológico e requer a orientação de um profissional especializado, com devida atenção às particularidades de cada caso, a ansiedade, se bem trabalhada, pode transfigurar-se de vilã para uma aliada benéfica no contexto organizacional e até mesmo melhorar a rotina pessoal de muitos indivíduos.

Ora, voltemos ao ponto em que identificamos a ansiedade como uma defesa aos perigos iminentes. Se, ao percebermos os primeiros sinais de ansiedade nos precavermos com atitudes pró-ativas, ou seja, aquele tipo de atitude que se antecipa ao problema e recorre a alternativas solucionadoras, evitando os riscos reais, as chances de termos uma boa desenvoltura nas situações desafiadoras tornam-se bem maiores. Para isto, é necessário ter claro os nossos objetivos, conhecer nossas limitações e aquilo que nos incute medo ou desconforto. Autoconhecimento é condição sine qua non para driblar debilidades, compensando-as com nossas potencialidades. Aplicando este ponto de vista ao exemplo anterior, que se trata de uma situação que supostamente causa ansiedade, a atitude pró-ativa seria atualizar e aperfeiçoar os relatórios das atividades laborais cotidianamente, o que possibilitaria melhorar a qualidade do documento, ampliar o domínio sobre todas as informações com as quais se está lidando e certamente, facilitaria uma boa apresentação em tempo hábil. Desta forma, a ansiedade, ou seja, o medo de algo dar errado ou não corresponder ao retorno esperado, poderia ser utilizada para se prevenir dos insucessos.

Considerando a ansiedade uma resposta emocional ao medo de que uma situação fuja do controle ou desencadeie um resultado indesejado, a primeira orientação para reverter a face hostil desta reação é, como se mencionou anteriormente, buscar o autoconhecimento. Através dele, um profissional pode projetar suas metas, baseando-se em seus valores e suas ambições. Isto definirá seu grau de tolerância às frustrações, identificando àquilo que vale a pena se submeter para se alcançar seus propósitos.

Porém não basta ter autoconhecimento, é necessário também conhecer bem seu ambiente de trabalho, as expectativas que o mercado oferece à sua profissão, as ofertas de qualificações e àquelas que são acessíveis e producentes para sua realidade e, principalmente, quais os desafios atuais para o sucesso de sua carreira.

Ter ciência de suas limitações como pessoa, como profissional, as vulnerabilidades do mercado no qual se está inserido, os pontos fortes e fracos da organização em que se trabalha também contará muito para tirar proveito da ansiedade. Segundo Sun Tzu, conhecer o inimigo é um dos pilares para vencer a guerra.

Utilizar a ansiedade como um estimulante à competência profissional pode ser surpreendentemente eficaz. Então, atenção a si próprio e tudo ao seu redor! Sabendo que se pode usufruir deste sintoma, passe a ter o foco na assertividade e não no medo do fracasso. E quando a ansiedade alarmar o indesejável, antecipe-se, analise, programe-se, organize-se. Estabeleça prioridades e resolva cada problema de uma vez!

Boa ansiedade a todos!!!

 

*Simone Barbosa
Graduada em Psicologia (Universidade Católica de Goiás); Especialista em Políticas Públicas (Universidade Federal de Goiás; Cursando MBA em Gestão de Pessoas (UNOPAR). Atua na área de Recursos Humanos, na função de Analista de RH Sênior desde 2008 na empresa Júlio Simões Logística (JSL). Responsável por recrutamento interno e externo; aplicação de testes psicológicos e provas situacionais; implantação e execução de programa de Qualidade de Vida no Trabalho; treinamentos institucionais e motivacionais; mediação de conflitos; acolhimento psicológico, dentre outros.

 

Fonte: www.rh.com.br