Menu Principal


Uma busca pela superação PDF Imprimir E-mail

Por Patrícia Bispo*


 

Emoção em cada palavra. Nada mexe mais com alguém que está habituado a ler e a redigir textos diariamente, principalmente sobre assuntos relacionados ao comportamento humano, aos sentimentos e às aspirações de pessoas que buscam constantemente a melhoria do próximo como é o caso dos inúmeros profissionais da área de Recursos Humanos, e que tenho o privilégio de conhecer e trocar experiências. Não poderia apresentar essa entrevista de outra forma, senão através da emoção que senti ao conversar recentemente com o professor José Luiz Tejon Megido. Em 2007, tive a satisfação de entrevistá-lo sobre o tema liderança, mas dessa vez meu trabalho tomou um rumo surpreendente porque simplesmente fui contaminada pelo voo da superação, até então não registrado em mais de 20 anos de profissão. Poderia passar horas escrevendo essa apresentação, mas prefiro que vocês - leitores do RH.com.br, que tenho profundo respeito - conheçam um pouco mais sobre Tejon, um profissional que traz consigo o "dom de superar a própria superação". Em maio próximo, ele lançará mais um livro "O voo dos invencíveis - Um passo além da superação", foco dessa entrevista. Coincidentemente, no mesmo mês em que o RH.com.br promoverá o 6º ConviRH (Congresso Virtual de Recursos Humanos), no período de 10 a 25 de maio, evento que também tem o prazer de contar com a participação de José Luis Tejon Megido, que na oportunidade ministrará a palestra em vídeo - Os 7 desafios dos líderes superantes e não "ficantes". Boa leitura!


RH.com.br - Em maio próximo, o senhor lançará mais um livro "O voo dos invencíveis - Um passo além da superação". Já tivemos a oportunidade de conversarmos sobre outras obras de sua autoria, mas parece que essa o deixa mais entusiasmado. Estou certa?
José Luiz Tejon Megido - Sim, espetacularmente mais entusiasmado, pois não falo mais das superações as quais precisamos necessariamente enfrentar e superar, o acidente, a carreira, uma separação ou mesmo conseguir riqueza, saúde ou sucesso. Falo agora, sobre um passo além da superação, o que significa... Muito bem, agora você já venceu. O que vai fazer doravante? O que você vai fazer depois da fama, da riqueza, do sucesso? Superar de verdade, para mim, nesse livro e nessa jornada é a busca do compromisso com a alma. Desperto nos leitores a necessidade de não se perderem disso, em função do imenso reino das distrações, que é a vida na terra.


RH - O que esse trabalho traz de especial na trajetória do escritor José Luis Tejon Megido?
José Luiz Tejon Megido - Esse trabalho é um marco de mudança. Nos outros, como "O vôo do cisne", "O beijo na realidade" ou "A grande virada", esgotava ao máximo as leis para ajudar as pessoas a darem a volta por cima ou a não se sentirem como patinhos feios, a pegarem as realidades e as transformarem a partir de um beijo bem sonhado e realizado. Agora, em um passo além da superação - O voo dos invencívei -, busco a transcendência. Fui a Tel Megiddo, o Armageddon, em Israel, mergulhei nas profundezas daquela cidade destruída e reconstruída 25 vezes, ao longo de 10 mil anos. Ali eu senti a presença do sempre, do eterno e conversei com as pedras.


RH - Parece que esse "voo" é algo que o senhor sempre buscou. Conseguiu encontrá-lo?
José Luiz Tejon Megido - Esse é o primeiro voo verdadeiro da alma, espero que ele apenas abra o caminho para revelações muito mais profundas.


RH - Ao todo, são dez capítulos que contam a história de um homem em procura de uma superação interior. Por que focar seu trabalho nessa constante busca para transpor barreiras?
José Luiz Tejon Megido - Porque, conseguir bens, uma profissão boa, ser respeitado, obter fama, sucesso, isso é simplesmente meio, jamais um fim. Sei que é muito importante, pois representa o nosso talento no encontro com as forças materiais, as transformações, a criatividade. Mas se nos deixarmos dominar por tudo isso, como o sentido e o significado, a razão de ser da vida, estaríamos derramando, jogando fora a benção superior de uma existência. A nova barreira dessa busca, pelo Armageddon real, me levou ao Armageddon Espiritual, nisso o sentido e a razão do ser, tem um novo vir a ser. Representa o encontro dos segredos da alma, ou a criação virtuosa do desvendar desse segredo.


RH - E depois que se supera um obstáculo, obtém-se uma conquista, o ser humano "congela"?
José Luiz Tejon Megido - Para não congelar, é preciso se autodesafiar. Tornar-se desnecessário nos terrenos já conquistados é o manto da revelação. Ao nos espremermos profundamente, vamos verificar que para podermos voar precisamos estar leves, vem o desapego e o legítimo poder do amor.


RH - Superar obstáculos ou alcançar objetivos é fundamental para que o indivíduo mantenha-se motivado?
José Luiz Tejon Megido - A vida é uma escola interminável. Creio na missão do aprender e na sabedoria da vontade do aprender a aprender. E creio que a leveza da alma o que nos permite voar é a descoberta desses segredos, que não são de verdade segredos, como na lenda do pássaro azul, eles sempre estiveram dentro da nossa casa, mas o engraçado é que para descobrir isso, precisamos empreender a jornada dos nossos herois íntimos. Na volta para casa obtemos esse elixir. Vida é movimento, nada inanimado se motiva, a não ser que possamos produzir um ânimo e uma motivação. A pedra que encontrei no Armageddon parece transmitir muita vida, apesar do seu silencioso olhar.


RH - Em seu livro, o senhor faz um alerta para as chamadas "distrações" que podem desviar as pessoas de suas próprias superações. Onde elas estariam?
José Luiz Tejon Megido - As distrações são gigantescas: numa empresa uma pessoa confunde o seu papel profissional com algum traço da sua personalidade pessoal, o que a impede de progredir; um genial capitalista reúne fortunas, e ao longo desse processo se esquece da busca do verdadeiro motivo da sua obra, e termina por enredar-se em brigas, e desgraças familiares, muitas vezes destruindo filhos e pessoas amadas. Eu mesmo tive no acidente da queimadura do meu rosto aos quatro anos de idade, uma possibilidade enorme de distração. Se tivesse andado distraído pensando e vivendo em função disso, jamais teria realizado e iniciado uma busca mais evoluída dos sentidos do viver. As distrações são enormes e estão por todo lado, a beleza sem uma visão crítica dela, distrai a mulher, a moda distrai, as arrogâncias do ego distraem, e assim por diante. A coisa quer dizer "chegar lá não é nada", tudo vai depender do que iremos fazer depois que tivermos chegado lá. O desafio é estupidamente maior e muito mais sofisticado.


RH - Trazendo sua obra para a realidade organizacional, que contribuições seu trabalho dá a quem, por exemplo, foca-se em conquistar o sucesso profissional?
José Luiz Tejon Megido - Sucesso é o que aprendemos enquanto buscamos o sucesso. Sucesso faz bem, pois é difícil dizer que alguém poderia ser feliz sem ter sucesso. A frustração pelo não êxito é dura, magoa. E muitos desistem por não terem dentro de si a vital e fundamental força da persistência. No meu livro digo que alguém de sucesso é alguém que nunca desiste. Mas quando obtemos o sucesso, ele já passou. Ai precisamos nos desapegar desse vínculo, e nos desafiarmos novamente. Ao fazermos isso, vamos nos motivando e criando novos sentidos para nossa vida e gerando obras. Chegará um momento em que iremos olhar cada vez mais para o alto. As cargas conquistadas sentiremos serem boas e bonitas, mas que devemos largar o seu peso. Que sejam úteis para outros. Então, iniciamos uma obra superior. Numa empresa é como um empreendedor que ficou muito rico - iniciar a sua fundação, constituir investimentos pesados em pesquisa e ciência. Ou como o querido amigo maestro João Carlos Martins, que me deu a honra de ler e prefaciar o livro, que após sua genial superação e ter dado todas as voltas por cima, hoje investe tempo e recursos na formação de jovens de comunidades, levando-os para apresentações no Exterior. O João hoje é um exemplo de um real passo além da superação.


RH - "O voo dos invencíveis - Um passo além da superação" também está direcionado para os líderes que precisam vencer desafios, dia a dia?
José Luiz Tejon Megido - A arte maior do líder é saber tornar-se desnecessário. Não como guardião de valores. Mas desnecessário fisicamente. O líder é um criador de líderes. A legítima liderança e a mais poderosa de todas é a Liderança Invisível. Aquela constituída por valores, visão, missão. Se trabalharmos cada palmo à frente do nariz, com uma obra visionária e evolutiva em mente, receberemos brutais ajudas das leis do acaso, pois os nossos valores no encontro das águas do acaso criam os destinos. E o tempo nos será generoso. As vitórias de curto prazo são possíveis para qualquer líder esperto e oportunista. As vitórias longevas somente são acessíveis aos líderes sustentáveis: aqueles que criam, mas não destroem para criar. E, isso, representa um verdadeiro passo além da superação. Registro no livro o Mindlin, que era membro do conselho do Grupo Estado, onde trabalhei, um homem com esse verdadeiro "estofo" de qualidade superior.

 

Fonte: www.rh.com.br