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As tarefas de estimação PDF Imprimir E-mail

Por Wellington Moreira*

 

Muitas pessoas que lamentam a falta de tempo para concluir as atividades e as atribuições que têm sob seu encargo no trabalho cotidiano são reféns das chamadas tarefas de estimação. Aquelas coisas extremamente prazerosas de se executar, mas que não servem pra nada ou que qualquer outra pessoa poderia fazer no lugar sem prejuízo algum.

É muito comum percebê-las quando, por exemplo, o profissional acaba de ser promovido após anos de trabalho numa mesma posição e fica possesso ao saber que deve mudar as prioridades de uma hora para a outra. "Até ontem isto era tão importante e agora eu não devo fazer mais só porque mudei de cargo?", reclamam.

Quando você recebe uma promoção precisa estar ciente de que o seu tempo, necessariamente, deverá ser alocado de outro modo a partir dali. Ou seja, terá de se adaptar a uma nova rotina nas quais muitas coisas imprescindíveis até então simplesmente deverão ser substituídas por tarefas consideradas mais relevantes para o cargo recém-assumido.

Mas não são apenas as novas posições que escancaram tarefas de estimação. Toda e qualquer pessoa que já está há algum tempo desempenhando a mesma profissão possui atividades irrelevantes dentre suas as prediletas, se bem que a imensa maioria não gosta de conversar a respeito deste assunto tampouco confessa gastar seu tempo em ocupações sem importância.

Eu me recordo de um empresário que adorava frequentar diariamente a área operacional de sua indústria para operar uma máquina impressora como sempre fez desde a fundação da companhia e quando dizíamos a ele que a seriedade do seu cargo não comportava mais aquele tipo de tarefa, defendia-se dizendo que ninguém operava uma máquina com a destreza que possuía.

O que o fez mudar de ideia foi o pedido de demissão do supervisor da área que não aguentava mais ser desautorizado na frente de todos os colaboradores sempre que este diretor descia à produção querendo fazer as coisas do jeito dele. Ali compreendeu que seu comportamento estava passando dos limites.

Este caso revelava ainda uma grande dificuldade para delegar. Mesmo que a tarefa possa ser terceirizada algumas pessoas continuam a acreditar que só elas podem realizá-la competentemente ou, então, por se tratar de algo que lhes dá prazer, temem entregar o "brinquedo favorito" a alguém que não cuidará dele tão bem quanto acreditam que deveria.

Se você conserva um grande apego às pequenas coisas que faz realmente é difícil "largar o osso". O afeto desmedido a tarefas de importância secundária direciona qualquer um de nós a prioridades erradas que tomam um precioso tempo e reforçam o péssimo hábito de procrastinarmos tarefas relevantes que tendem a não ser tão agradáveis. Portanto, acenda a luz amarela caso você sinta um prazer imenso em tudo aquilo que faz, já que é bem provável que algo relevante não esteja sendo concretizado com a atenção devida.

Tarefas de estimação também são comuns quando os profissionais não compreendem o real papel do cargo que ocupam. Ainda hoje muitos "acham" que sabem o que se espera deles e investem energia naquilo que não deveriam por falta de direcionamento. É por isto que o feedback ganhou tamanha projeção na agenda dos líderes de diferentes níveis.

Entretanto, é preciso ter em mente que as tarefas de estimação são deixadas de lado apenas quando os indivíduos promovem uma considerável mudança em seus valores pessoais acerca do trabalho. Quando compreendem que o importante não é somente "como se faz" e sim os resultados daquilo que é feito. E é claro, permitem-se cumprir tarefas saborosas conscientemente de vez em quando, afinal o trabalho também precisa ter significância para valer a pena.

 

*Wellington Moreira - Palestrante e consultor empresarial nas áreas de Desenvolvimento Gerencial e Gestão de Carreiras, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é especialista em Comunicação Empresarial. Membro do IBCO (Instituto Brasileiro de Consultores Organizacionais), também é colunista de diversos jornais e portais de internet, bem como autor dos livros: - "O Gerente Intermediário" (Ed. Qualitymark, 2010); - “Como elaborar seu currículo e participar de entrevistas de emprego” (Ed. Saber, 2002); e - “Aprendendo a falar em público” (Ed. Eduel, 2000). Diretor-executivo da Caput Consultoria, entre seus principais clientes corporativos constam organizações de vários estados brasileiros e segmentos de mercado, que confiam a ele e sua equipe de profissionais vários projetos de consultoria e programas de educação corporativa amplamente reconhecidos pelo mercado.

 

 

 

Fonte: www.rh.com.br, em 9/11/2012